A Pistoleira do Inferno (Conto de Vagareza Smith)

dezembro 8, 2009 por Alabama Jones
Meu carro dobra a esquina da 53 em direção à principal. Não faz muito
tempo que eu traí a Sheila com um cadáver que a gente achou nessa rua.
Deus, quando você achar que chegou ao fundo do poço, espere alguém
jogar uma pá. Sempre, SEMPRE fica pior.
- Amor, tava aqui pensando. Já faz seis anos que a gente se conhece.
Cinco que você fez a Pestilence ir pra cadeia. E a gente tá junto não
faz um ano.
Jogo a terceira bituca de cigarro pela janela, acendendo o quarto.
- Você sabe que eu não presto. Aliás, eu acho que a gente tá durando muito…
- Nossa, não fala isso. Não que você valha uma lata de cerveja quente, claro.
- Brigado, amor. Jô, como tá aí?
- O Jones não acordou ainda. Tô preocupada.
- Relaxa, lindona. A Sheila fez um bom trabalho nele.
Passo a mão nas coxas lindas da Sheila.
- Valeu de novo, amor. O Jones vai sair dessa, não vai?
- Precisamos de analgésicos, Vagareza. daqui a pouco ele acorda e ele
vai precisar. MUITO.
- Maldita Pestilence. Dessa vez ela não me escapa.
- O que você vai fazer, Smith? – Jô ajeita a cabeça de Jones nas pernas.
- Tô pensando ainda.
Cheguei na principal, dobrei em direção à saída da cidade, indo pro
meu galpão no interior.
Faz tipo, meses que eu não coloco os pés lá. Sempre que eu ou o
Alabama precisamos ir lá, é porque 1) queremos matar alguém ou 2)
alguém nos quer morto. Dessa vez, são as duas opções. Na verdade, é a
única coisa que eu consegui comprar na vida, além deste carro: o
sujeito depois que sai da fralda da mãe entra no ciclo
trabalhar-receber-comer-foder-gastar. Se torna parte do tal sistema. E
a vida vai sumindo na nossa frente. Alabama e eu conseguimos quebrar
esse ciclo de merda, mas tudo tem um preço: ninguém nos quer por
perto. Vivemos em lugares sujos, em busca de um copo sujo de trago ou
uma buceta fedida que nos acolha por uma noite. Trabalhamos onde
pessoas normais teriam nojo. O filho da puta do Jones ainda tem sorte
de poder escrever de vez em quando. Eu? Só sei roncar alto.
Passamos numa farmácia, e fizemos compras. A Sheila um dia queria ser
médica, chegou a quase pegar o diploma. Mas dobrou uma esquina errada
em direção à morfina e foi tudo pro buraco. Se limpou, mas nunca mais
voltou pra faculdade. Gosto dela. Digo, não quero viver PRA SEMPRE com
ela, mas gosto dela.
Chegamos no lugar. Está ainda mais assustador do que quando eu deixei.
Esse frio e a lua cheia deixam a figueira mais macabra ainda. Sheila
abre a porta e eu entro com o carro.
Meu galpão tem um monte de coisas que eu e o Alabama juntamos ao longo
dos anos pra esperar a guerra, os alienígenas, ou divórcios. Então dá
pra viver tranquilo nele. Preparei um canto estilo enfermaria pro
Jones enquanto a Sheila e a Joana tentavam dar um banho nele.
Pestilence pegou pesado: tiro de espingarda na barriga. A vadia nem
piscou quando atirou.
DEZOITO HORAS ANTES
- Jones. Acorda, filho da puta.
- Puta? Quem é puta? Puta é sua mãe!
- Caralho… ô vadia, passa pro cara que deve tá morto aí do teu lado.
Escuto uns estalos, e uns xingamentos.
- Quê?
- Jones, a pestilence achou a gente.
- O QUE? CARALHO? ELA TÁ MORTA?
- Morta? Não, porra, quase morto tô eu. A mina aumentou o nível de artilharia.
- Só se ela tiver dirigindo tanque agora… E aí?
- Ela tá te procurando. Precisamos ver o que fazer.
- Tá. Me espera aí.
15 minutos depois, eu estou terminando de consertar a porta, quando Jones chega.
- Ei, eu pago o estrago, tá?
- Não esperava menos. Trouxe cerveja?
- Aqui.
Jones entra no apê, e vê Joana correndo em direção a ele. Ele abre os
braços, ela fecha os punhos. Um cruzado de esquerda no queixo e um
direto no plexo solar. Jones não esperava tanto amor.
- QUER DIZER QUE O SEU NOME NÃO É JONES? E QUE VOCÊ É CASADO?
- Jô, calma, eu posso expli…
Jô abaixa pra pegar nas bolas dele. Juro que eu vi uma ereção por ali.
- Você vai ter tempo pra explicar DEPOIS que a gente sumir. Agora senta aí.
- Sumir? Quem pensou em sumir? – Sheila aparece vestida com uma
camiseta minha. Estou ficando sem roupas, as minhas melhores camisetas
viraram pijamas pras minas.
Joana vira pra Sheila.
- Ué, eu achei que a gente fosse sumir do mapa, por causa dessa louca.
Eu acendo três cigarros ao mesmo tempo, passo um pra Sheila e um pro Jones.
- Isso só funcionou da primeira vez porque ela foi presa. Agora o
negócio tem que ser mais forte, eu acho.
- E como você fez pra ela ir pra cadeia mesmo, Smith?
- Um quilo de pó e uma denúncia anônima. Me custou 20 paus do mais
puro néctar boliviano, mas era isso ou o Jones ia acabar sem as
gônadas.
- E o que você fez, Jones?
- É… bem… porra, o cara comete UM deslize…
- O cara comeu a mãe E a irmã dela, Jô. Pronto, falei.
Joana olha pra ele como quem olha prum cão raivoso.
- Eu acho que você merecia, né? filho da puta!
- É… é, sei lá… bem… o que importa é que eu estou aqui, baby.
Joana pega o cigarro de Sheila, dá uma longa tragada e joga a bituca em Alabama.
- Vou pensar se te ajudo, seu fedido leproso filho duma cabra. – E sai da sala.
Gordo Mick enxuga o suor da testa, depois de subir no terraço do meu
prédio. Estamos em pleno inverno e ele consegue fazer poças nas
axilas.
- Tá, quer dizer que tem uma puta com uma espingarda correndo a cidade
atrás do Alabama?
- Isso.
- E a gente vai matar ela?
- Basicamente.
- E o que eu ganho com isso? Eu nem conheço essa vadia…
- Vem cá, tu sabe voar?
Silêncio. Eu adoro silêncio. A cidade lá embaixo gritando, os carros
começam a acender os faróis, o sol está indo embora. Mas aqui, no
terraço do meu prédio, o silêncio impera.
- Mick, você não precisa fazer muita coisa. Lembra quando a gente fez
aquele bico no matadouro?
- Leeeembro! Você matava, o Jones tirava a buchada e eu separava a
carne. Várias picanhas roubadas…
- É, eu lembro que a gente foi demitido porque a picanha nunca chegava
pra embalar, cuzão. Enfim, vai ser a mesma coisa. Só que dessa vez, é
uma vaca que anda de pé. E o Jones não vai participar da parte da
buchada, isso é com a gente.
- Porra, você fala como se já tivesse matado um monte de gente.
Acendi um cigarro. Melhor não responder essa.
- Então, o negócio é o seguinte…
Combinamos que iríamos tentar ir ao encontro da Pestilence, onde ela
estivesse. Mas tínhamos que saber onde estávamos pisando, fazer um
reconhecimento, então liguei pra vaca. Disse que o Jones tava disposto
a conversar, ela disse que ele só ia conversar com a dois-canos dela.
Peguei o endereço, ficava numa parte da cidade que a gente conhecia
muito bem. Provavelmente, no quarto onde ela está hoje, eu já passei
umas mil vezes.
O problema de todo esse esquema era o número de gente envolvida. Eu,
Alabama, Sheila, Joana, e agora o Gordo Mick. Isso vai dar merda.
Botei o Gordo na cola da mina. Agora ele conhecia a vaca, chegou a
dizer que comia. Coitado, mal sabe ele que se bobear quem entra na
vara é ele mesmo. Enquanto ela estava no centro, me hospedei no mesmo
hotel. Quarto 22, de frente pro dela. Dessa noite ela não escapa.
Antes eu falei que só sabia roncar. Não é bem verdade. Eu sei umas
coisas, mas nada que me faça ganhar dinheiro, então não é importante.
Mas eu montei o plano. Jones vai aparecer na porta dela, quando ela
atender eu vou estar no apê da frente esperando ela. Então a gente vai
fazer ela dar o checkout, vai levar ela pro meu galpão e de lá ela não
vai mais sair. Perfeito.
No horário combinado, Jones aparece na porta dela.
- Prudence, sou eu.
Do outro lado do corredor, por trás da minha porta, eu escuto o
engatilhar da arma. Eu engatilho a minha, também.
No momento em que ela abre a porta, eu também abro. E aponto a nove na
fuça dela.
- Devagar, Pru. Eu quero atirar em você, mas não agora.
- FILHO DA PUTA! ARMOU PRA EU SER PRESA E ARMOU PRA MIM AGORA!
- Abaixa o cano, Pru. Jones, devagar, aqui pra dentro. Prudence, você…
Não consegui completar. Mick Gordo aparece apanhando de um cara que a
gente nunca viu na vida.
- Quem é esse via…
Não consegui completar, de novo. Pestilence atirou em Jones, que ainda
estava entre a gente. Eu aparo a queda dele, e o puxo pra dentro do
apê. Mick leva uma coronhada e cai no chão, eu dou uns tiros, erro
todos. Só consegui ouvir o cara desconhecido dizer “Vamo, amor,
corre”.
Agora tenho um baleado, um desmaiado, e dois fugitivos. puta que pariu.
Só posso carregar um, então deixei o Mick Gordo na lona. Corri com
Alabama pro carro, o bicho desmaiado, mas ainda vivo. Liguei pra
Sheila:
- Amor, deu merda. prepara pra costurar bem mais que um supercílio.
ATUALMENTE
Saio do banho e procuro Sheila. Nos abraçamos. Puta que pariu, que dia.
- E o Jones?
- Deu uma acordada, mas tá chapadão. Dei um negócio pra ele dormir um
pouco mais. Ele perdeu muito sangue, cara, achei que não ia dar pra
ele.
- É, eu também não. Filho da puta tem sorte de ter você por perto.
- Valeu. A Jô tá dormindo, a coitada não parava de chorar, eu tb dopei ela.
- Quer dizer que dá pra dar uma sem acordar ninguém?
- Hmm… é.
- Então bora.
No caminho pra cama, Sheila me pergunta:
- E amanhã, você vai atrás da Pestilence?
Eu acendo um cigarro. Penso bem antes de dizer:
- Sem dúvida. A vadia já tá morta, só não avisaram ela.

O Casamento – Parte I Confissões ao Cowboy

dezembro 4, 2009 por Alabama Jones


A notícia chegou como uma bomba de trocentos megatons, Joana e George iam se casar. Eu jurei a mim mesmo que ia deixar essa mulher em paz, etc e tal, mas sabe como é né? Você sempre fica chocado com uma porra dessas. Fui convidado como testemunha, e eles nem vieram aqui, mandaram o convite pelo correio. Eu pessoalmente acho que George sabe das coisas. Garoto esperto.
Eu estou na merda de novo, sozinho, pouca grana, enfim… Apostei meus últimos trocados em uma merda de cavalo de corrida, segundo o Mick, “grana fácil”, “sem erro”. Claro, sempre se pode confiar na palavra de um cara que cata cachorro quente da lixeira dos outros pra comer.
Liguei para o Vagareza e nos encontramos em um pub irlandês perto da minha casa, eu não tenho nada contra irlandeses, mas o Vagareza não gosta deles, e disse que viria armado. Ultimamente todos nós andamos meio paranóicos, tudo isso por causa da prisão do nosso amigo Jack One-Eyed. O idiota foi pego com um cara premiado de pó, e pior, era pra uma festa nossa, merda.
O Vagareza já estava na segunda tequila quando cheguei, pensei comigo “isso vai dar merda”.
- E aí brow?
- Firmeza?
- Firme… senta aí, vai beber o que?
- Vodka com soda.
- Bebida de bicha.
- Cala a boca.
Ligamos para Mick, mas o celular estava desligado.
- E a Sheila, tudo certo?
- É… acho que sim, quebramos o pau feio ontem. “Seus amigos não prestam”. “Acha que eu não sei que tem mulher aonde vocês vão?”, e todo o tipo de coisa que me deixa puto. Ela foi pra casa da mãe.
- Isso quer dizer que beberemos até cair sem peso na consciência.
- Pode apostar Jones.
Minha bebida chega, acendo um cigarro, estranhamente começa a tocar “The Greatest Cowboy of them all”, Johnny Cash. Uma coisa estranhamente country em um pub irlandês. Olhei pra pança do Vagareza e vi o coldre, o filha da mãe veio armado.
- Pra que a arma?
- Esses irlandeses porra, não se pode confiar nesses caras. Eles tem máfia sabia? Tipo italianos, mas sem aquela coisa de família, você é um irlandês qualquer, e eles te furam, seja primo, tio irmão. São uns putos de uns capitalistas cornos.
- Tu não é irlandês porra.
- Por isso, se eles são assim com a gente deles, imagina com uns merdas que nem a gente?
- Cara, tu tá mais paranóico que o normal, andou cheirando?
- Cheirei buceta, que tal?
Óbvio que agora ele iria ficar de olho em todo mundo que entrasse, qualquer ruivo estaria fodido se dissesse um “oi”. Bebi a minha vodka e resolvi acompanhar o meu amigo, passei para tequila. No fim da garrafa a língua fica solta, e algumas verdades saem sem a gente nem perceber, o que é perigoso, ainda mais quando se tem um bêbado armado na sua frente.
- E a Joana hein?
- Que que tem?
- Não te faz bichinha, vai dizer que não tá puto? Podemos ir lá agora mesmo e matar o George, é só dizer, um tiro na fuça e ela fica livre cara.
- Não… já tinha passado da hora de isso acontecer cara, sabe? Estamos nesse rolo há muito tempo, roendo o meu cérebro e me fazendo cavar mais fundo o caminho para o inferno.
- Vá se foder! Ei, ruiva!! Trás outra garrafa! Tu devia ir lá e falar umas verdades pra essa mina, agora mesmo.
- Nem vem cara. Essa parada acabou, fim de jogo… prefiro mandar esses irlandeses pro inferno e irmos pra alguma putaria.
- Hahahahah Despedida de solteiro?
- Ah se fosse… caralho!
Pegamos a segunda garrafa e partimos para uma via sacra de degradação. Graças ao bom Deus todas as casas da vida estavam abertas, e passamos por algumas. Bebemos um pouco mais e passamos em outras. Claro que fiquei impressionado pelo fato de que o Vagareza entrou armado em todos esses lugares como se fosse uma porra de cowboy, juro que vi ele mastigando um fiapo de capim em alguns momentos.
Já quase cinco da manhã paramos na última casa da cidade, encontramos duas moças muito bonitas e de preço acessível, rapidamente fizemos o acerto e as levamos para a praia mais próximas. Eu fui dirigindo enquanto era acariciado pela minha ruiva, enquanto Vagareza fazia o serviço no banco de trás com a sua morena. Estávamos no meu conversível à 140 km/h, bebendo, trepando e ouvindo Black Sabbath.
A lua estava perfeita, porém o sol já arriscava dar as caras, a praia ficou bem iluminada, e cada um com sua garota foi para um lado trepar mais à vontade. Eu, minha ruiva, e mais meia garrafa de vodka nos deitamos na areia e começamos a conversar um pouco.
- Seu amigo é meio louco né?
- O Vagareza? Não… ele é normal, você precisar conhecer o Mick.
- Hahahahaha vocês estão pulando de boate em boate e bebendo sem parar…
- Despedida de solteiro…
- Como é?? Um de vocês vai casar? Quem?
- Na verdade não, uma mina que eu era encarnado vai casar, então resolvemos cair na noitada pra não cair na fossa.
- Sei, vem cá…
A ruiva tem a pele muito macia, não deve ter mais que 25 anos, me beija carinhosamente como se fôssemos namorados, sinto um arrepio como se aquilo tivesse algum sentimento envolvido, mas acho que é só minha velha pistola de cowboy ficando dura né? Ela então cavalga virada para o nascer do sol, olhando fixamente para o horizonte como se fosse a porra do John Wayne.

O Pentelho Branco

novembro 30, 2009 por Alabama Jones

Resolvi acordar pra realidade. Quase 5.0 na cara e ainda vivo como se tudo fosse uma grande festa de merda. Convidei todos os amigos(os que me lembrei) para um lance na minha casa, uma coisa menos violenta, sem drogas, tipo um jantar. Tirei uma gatinha da zona faz uns dois meses e ela tem ficado aqui em casa, seu nome é Lucielle. Fode bem, lógico, treinada no assunto. Ela tratou de pilotar o fogão. Algumas pessoas não comem comida feita por puta, mas a Lucielle lava bem as mão sempre, antes e depois, eu sei.

O primeiro que aparece, lógico, é o Mick. Com uma garrafa de vinho barato.

- Entra logo aí seu gordo de merda, e pega uma cerveja.

Espio pela janela e vejo o carro vermelho do Vagareza estacionado. Normal, ele deve estar chegando… olho novamente e o carro começa a se mexer, noto que os vidros estão embaçados. Puta que pariu, o Vagareza tá comendo a mina dele na porta da minha casa! Chamo o gordo pra ver e ele começa a rir alto e fazer barulhos estranhos, Lucielle também aprecia.

De repente a campanhia. Atendo e tenho uma visão que me atormenta nos últimos meses: Joana e o cuzão do namorado, o chupador de pica chamado George.

- Oi Jô. – cumprimento, rapidamente Lucielle cola na minha.

- Jones. Lucielle.

- E aí velho? – provoca George, obviamente ele não é muito bem vindo.

Os dois entram e eu levo um beliscão de Lucielle. Espio Joana pelo canto do olho, ela está vestida com uma camisa curtíssima do Deep Purple, e uma mini saia do satanás. Dou com o pau na quina na mesa pra ver se contenho uma ereção expontânea.

- O que tu tá fazendo?

- Nada querida… me trás uma cerveja?

- Pega tu mesmo! – Mau conheço a Lucielle e parece que somos casados há séculos. Mick abre um sorriso lá no fundo da sala, é um puto mesmo!

Vagareza e Sheila aparecem, nitidamente chapados, rindo de qualquer coisa, e quase se comendo ali mesmo.

E por último aparece Jack One-Eyed, o senhor farmácia, vende o que você precisar. E pelo visto ele usou algo, chegou extremamente paranóico, falando coisas sem sentido sobre misturar anfetaminas e suco de limão. Lucielle aparece com um martelo de “amansar bifes” e anuncia que a comida está na mesa. Não tem muita gente mais para vir, e quem não veio foda-se.

George me incomoda. O simples fato do infeliz respirar já me deixa puto. Eles sentam lado a lado e eu na cabeceira. No fundo eu sinto que perdi Joana há muito tempo. Sinceridade. Não sei porque, as minhas chances passaram, as oportunidades cagaram na porta da minha casa e eu não liguei, dei alguma desculpa, estava bêbabdo, com alguma puta, sei lá. Sempre acontecia alguma coisa.

Ainda, apesar da minha vontade, eu não sabia se Joana tinha o mesmo pensamento. Ela sempre me deu todos os sinais que estava afim de algo, e quando muito raramente me dava abertura pra chegar tomava um toco federal. Aí passava uma semana ou duas e a dança do não-acasalamento começava novamente. Estranho, tedioso, horrível, e deprimente sentimento de amor tomava conta de mim nesse tempo. Mas então, eis que chego em sua casa de surpresa e dou de cara com o tal George. Nada contra você ter uma musa não é? Você sabe que ela também precisa namorar, beijar e Deus me livre… trepar, mas quando você encontra o cara que está comendo… é muito foda. Foi aí que me liguei. Estou velho, as festas não são mais as mesmas, a bebida tem outro gosto, e os velhos bastardos que me perseguem estão casando, morrendo de overdose ou cirrose. A grandiosa festa da vida está nas suas horas finais, de agora em diante é o “after”. Ou melhor dizendo, é o lucro.

Ok, ok, você pode pensar: “Que idiotice de velho!”, ah sim, mas você também será um velho, reze à Deus para que não seja um velho broxa. Eu não sou, amém.

Lucielle é uma boa moça, está cuidando de mim, chupando meu pinto velho sempre que pode, o que mais um homem pode querer? Ela também tem belos peitos, diga-se de passagem. A vida é tranquila. Mas como sempre, a grama do vizinho é raspadinha e suculenta. A Lu sabe que estive empacado em Joana por pelo menos 10 anos. Porra, é tempo pra caralho. O que tinha de esperança se foi, e o que me resta é um bolo de cachaça na minha frente, com duas velas apontando meus cinquenta anos de derrota e autodestruição.

E vem os parabéns, cada um em sua vez me abraça, me deseja buceta, dinheiro e mais alguns anos para que meu traficante não morra de fome. Até o puto do George, o que caralhos ele faz aqui mesmo? Porra. Então por último vem Joana, ela me abraça cuidadosamente, seus peitos perfeitos encostam em minha barriga, há muito carinho nesse momento, o velho coração bastardo pulsa forte e o tempo congela. Parece ser o momento ideal, para que eu me declare e fuja com ela no meu Alfa Romeo Spider 1974. Ela não diz nada, eu também não. Um puta sentimento de vazio toma conta de mim e deixo escapar uma lágrima. É como perder a batalha da sua vida.

Joana se afasta como se não percebesse nada, melhor assim. Lucielle me dá um abraço forte e me empurra uma dose de whisky do bom. Foda-se amigo, essa já era.

- Ei Jones, -grita Vagareza, como é ser um velho cuzão de merda? Já tá apelando pras azuis?

- Só quando como o teu cu! Viadão!

No fim, ou pelo menos perto do fim, são eles que importam, os amigos de verdade, a família que a vida nos trás e as doses que nós pagamos à elas.

Agora… foi?

julho 16, 2009 por Alabama Jones

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Joana estava dando uma festa daquelas. Smith já estava lá desde cedo, e Mick passou na minha casa, ele estava sem carro pra variar. Antes porém, precisávamos levar mais fogo para essa festa, a coisa toda sempre é destruidora, mas um pouco mais de pólvora nunca faz mau né? Já eram quase 22 hrs, e o Gordo estava enrolando para entrar no carro. Obviamente não iríamos encontrar nada aberto essa hora.

- Anda logo Mick filha da puta!

- Espera pô, tô mijando! Caralho!

O Gordo sempre tem uma porra de desculpa, tudo com ele é difícil, embaçado, falta algo… puta que pariu. Eu tenho que confessar que estou um pouco ansioso, na última vez quase fiquei com a Joana. Foi um quase daqueles de adolescente. Quando você não faz merda nenhuma e acha foi quase… sabe?

Passamos então no primeiro posto de gasolina.

- Não vendemos bebidas depois das 22:00 hrs senhores.

- Putaquepariu!! Agora são 22:03 moço! – berra o Gordo desesperado.

- Não posso fazer nada, se vendermos e a polícia pegar vocês, sobra pra gente.

Então vamos ao segundo posto… e é a mesma coisa, e o terceiro, o quarto, o quinto… no sexto o Gordo já está fora de si:

- VÃO PRA MERDA!! EU CONHEÇO VOCÊS! EU SEI ONDE VOCÊS MORAM, VOU ATÉ SUAS CASAS E ENTÃO… ENTÃO VOU QUEIMÁ-LAS!!

- Merda Gordo, fica embromando e a gente sempre se fode!

Nisso meu telefone toca, Smith na pressão:

- Comé seus viadinhos?? Vão trazer mais bebida ou vão fabricar primeiro?

- O porra do Mick se atrasou e agora tá tudo fechado!

- Putaquepariu Jones! Tá fodido, falei pra Joana que vocês iriam salvar a festa, ela ficou toda animadinha…

- Merda! Não fala nada, vamos dar um jeito!

Começo a pensar em assaltos e formas de matar Mick dolorosamente. Até que ele vem com a super ideia:

- Jones, já que não temos bebida, podiámos levar algumas coisas mais pesadas hein?

- Affe, entrar na boca essa hora cara?

- A gente é mano dos caras, quem caralhos iria fazer alguma coisa com dois bostas que nem a gente?

No fundo ele tinha uma certa razão. Até porque, pensando bem, eu acho que tenho mais chance com a Joana chapada. Então sem muita conversa passo em casa e esvazio o porta-malas, não sei quantos corpos o pessoal da boca vai fazer a gente transportar…

Meia hora depois chegamos na casa do Jack One-Eyed. Dizem que o cara é imortal, eu realmente não sei, mas o que se pode ver de cara são trocentas cicatrizes. Eu já fui companheiro de bebedeira desse cara, então trato ele como irmão.

- Ei filho da puta!

- Jones, e aí, firme?

- Mole e apontando pra ti!

- Hhahahaha chega aí… e esse gordo, é teu segurança?

- Ele segura a minha pica pra eu mijar.

- Tem cara que faz isso mesmo! hahaha Qual é a boa?

Mick fica apreensivo, parece que ele cheirou uma tonelada de pó ou algo assim, ele fica encarando a garotada na porta, fica encarando Jack, e até a merda do cachorro dele. Ele está nitidamente se cagando nas calças. Me pergunto pra onde foi toda aquela panca de horas atrás.

- Negócios meu amigo de uma órbita só. – começo a negociação.

- O que tá procurando?

- Algo especial…

- Sei, tá querendo agradar alguma mina né? Tipo dia dos namorados, fala aí!

- Err… é, mais ou menos, ela tá fazendo uma festa, e a gente ficou de levar mais bebida, mas o gordo ali demorou muito pra se arrumar e acabou fechando tudo. Essa porra de lei seca, sabe como é.

- Festa? Putaquepariu… eu vou com vocês.

Nesse instante o gordo praticamente se mija todo, fica todo vermelho, sem reação, parece até que estamos levando um serial killer ou algo assim.

- Me dá dez minutos, vou pegar umas coisinhas. Vai abrindo o porta-malas lá.

Saímos até o carro, e ligo pro Vagareza pra informar que estamos levando um velho conhecido de guerra, ele pelo menos fica empolgado, já o gordo…

- Tem certeza cara? Vamos andar com esse cara por aí? E se ele estiver armado?

- Relaxa bolo-fofo, eu conheço o cara faz séculos.

Jack aparece com um monte de tralhas e enfia tudo no porta-malas, não dá tempo nem de ver o que é. Ele puxa dois baseados do bolso, acende um e me dá o outro. O clima ficou tenso, pelo menos para nós, pois Jack estava chapado e à vontade. Eu realmente fiquei preocupado com o que estávamos transportando, se a polícia nos para já era, Alabama Jones, Mick o Gordo e Jack One-Eyed na prisão. Lindo.

Acelerei pra caralho como se o carro fosse roubado, mau consegui fumar aquela erva. Mick arregalava os olhos à cada sinal que eu furava, e Jack simplesmente ria desesperadamente. Sádico filho da puta. Em menos de vinte minutos chegamos à festa, e claro, pela demora o negócio já estava na finaleira. Muita gente bêbada e drogada por todo o lado. Jack foi até o meu carro e pegou uns cachimbos, ele parecia o dono da parada toda, incrível. Dei uma volta atrás do Vagareza e acabei encontrando-o com a cara na privada, juntei o pobre derrotado e joguei aquele corpo moribundo no sofá.

Nesse momento toca Love me Tender, do Elvis.

Joana aparece por trás, falando umas merdas, ela já estava alucianda. No outro canto da casa Mick estava bebendo alguma coisa e conversando com Jack. Olho para Joana e tento o que eu esperava a noite toda: uma investida suicida. Dessas que nunca dão certo.

- Jô…

- …e eu te falei que com essa porra de lei seca nenhuma merda ia tá aberta! Mas nãooooooooooo o Sr. Alabama tem que enfiar o pinto no meio da merda e se atrasar e…

- Jô olha…

- “Olha…” o seu cu! Eu vi que o teu carro tem uma fábrica de drogas lá atrás… e porra… EM QUE CARALHO DE FESTA VOCÊS ANDARAM SEM MIM?

- …a gente tava na putaria, comendo umas putas! Vá se foder! Caralho!

- É! Bem típico! Foda-se!

É… funcionou.

A Saga do Pentelho Ruivo e do Caralho de Aço

maio 24, 2009 por Alabama Jones

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Estou saindo do bar, e paro para uma pequena descançada. Sento na calçada e divago um pouco sobre a vida…

Qual história de auto-destruição não tem mulher no meio? Você sabe. Quando a coisa desanda, em quaquer sentido, uma mulher está envolvida. Nosso cérebro funciona bem sob o efeito do álcool, mas não sob efeito da vagina, essa sim, e a melhor e mais viciante droga que existe. Mas se você não gosta, meus cumprimentos, pois assim sobra alguma coisa para derrotados da minha laia.

Eu estava há alguns meses sem muito trabalho, tentei ganhar a vida com o que eu gosto: mulher e cerveja, mas de modo algum isso me dá algum dinheiro, o que é realmente uma pena. Me resta então, juntar-me aos comedores de bosta e arrumar um emprego, mesmo que seja temporário, apenas para pagar a próxima festinha nas casas da vida. Liguei para Joana hoje cedo, e como sempre ela deixou tocar até cair, não sei por que ainda tento.

Fui até uma pequena fábrica de tampinhas de garrafa, dessas de alumínio, e consegui um trabalho na máquina de pintura. A coisa toda era muito simples: apertar um botão e olhar o resultado, se ficasse uma merda devia chamar o responsável e ir pegar um café até que tudo fosse resolvido. Maior tédio que isso impossível. Então vesti um  macacão e começei minha derrota. Ao mesmo tempo em que apertava aquele botão idiota, pensei em quanto nada daquilo fazia sentido, e me questionei se os vinte dólares do fim do dia valeriam apena. Mas se você vai fazer o trabalho de uma máquina, seja uma máquina! E ali fiquei apertando aquele botão.

Quando o processo ficou automático eu apertava o botão no tempo certo e nem olhava mais o resultado, foda-se. Aproveitava para olhar as operárias, mesmo naquele uniforme demoníaco tinha alguma coisa boa ali por baixo, principalmente no meio daquelas coxas. Rapidamente pensei em outra coisa, pois se tenho uma ereção aqui meu pau podia ficar preso nessa máquina do capeta.

Eis que uma moça ruiva passa por mim, não sei dizer com que cara, pois ela usava um óculos desses de segurança e uma máscara, aquilo sim me deixou de pau duro. Um apito maluco toca, e me dou conta que é o intervalo do cafézinho. Sigo a manada até a cantina.

A ruiva ainda me encara, e eu não perco tempo.

- Não sabia que em fábrica de tampinhas podiam existir mulheres bonitas assim.

- É porque você não viu a fábrica de absorventes! hahaha

Conversamos um bocado, o apito tocou umas duas vezes, não sei o que significa, mas fiquei ali. Paralisado com aquela ruiva escultural escondida naquela macacão do inferno. Convidei ela para um drink depois do horário e ela aceita. Meu sexto sentido da derrota me diz que algo não está certo, mas resolvo arriscar.

Enquanto aguardava a chegada da ruiva aproveitei para fumar uns 20 cigarros e beber 8 doses de vodka. Eu não sabia por quanto tempo a minha autoconfiança iria durar. Ela chega, e eu vejo um baita mulherão. Por aquele breve minuto, entre a caminhada da porta à mesa, me lembro de Joana, e digo a mim mesmo que finalmente vou poder abandonar a tola esperança que me alimenta.

- Oi, já tá bebendo alguma coisa?

- Pedi uma vodka e fumei um cigarrinho… você não se importa né?

- Não, não… pode pedir um martini duplo pra mim?

Impressionante. Uma mulher bonita, que não se importa com um velho bêbado que fuma. Peço a bebida e ofereço um cigarro, ela aceita. Mando o resto da vodka pra dentro e faço sinal para o garçom abastecer meu copo. Não consigo tirar os olhos dela, analiso cada centímetro descoberto, e imagino o que está coberto. Ela percebe, claro, mas não fica constraginda, acho que até está gostando.

- Então… a gente conversou um monte, mas não trocamos nomes né?

- Ah, você pode me chamar de Ruiva!

- Ahahaha ok, meu nome é…

- Não importa querido, nomes são besteira, vou te chamar de Homem Vodka ok?

- Ok…

Bebemos mais alguma coisa, comemos, rimos, falamos de como é perigoso prender as tetas ou o saco na máquina de pintar tampinhas. Até que o bar fecha e ela me pede para levá-la em casa, eu como bom cavalheiro não nego, e vou até lá. Uma casa simples, mas em um bom bairro, ela me convida para um último café… quem toma café às 4 da manhã? É claro, vou foder.

Enquanto a máquina faz o café conversamos no sofá e trocamos alguns beijos, eu desconfiava que ela poderia ser casada e tal, mas não vi nenhuma foto, ou sinal de outro macho na casa. Enquanto a máquina de café apita tiro o sutiã dela, e vou com tudo. Ela corresponde, mas tateia alguma coisa debaixo da almofada. Eu não ligo e continuo o banho de língua, vou percorrendo todo aquele corpor maravilhoso com a esperança de que irei encontrar uma floresta ruiva, ou como diria o Vagareza Smith, uma fábrica de coloral. Ao chegar na região da pequena mata percebo que ela achou o que procurava, e constato que aqui embaixo é ruivo também. Aleluia irmão!

Eis que surge um brilho metálico. Voa pelo ar como uma faca! Terei caído nas garras de uma psicopata? Serei eu a vigésima sexta vítima dessa louca? Será que ela vai me enterrar perto de algum bar? Existem mesas de sinuca no inferno?

Quando eu já aceitava a morte certa reconheço o objeto… e dou um pulo maior do que se fosse uma faca!

- EPA!

- Que foi Homem Vodka? É só um caralhinho…

- De jeito nenhum que você vai usar isso, seja em você ou em mim! Não divido nada com máquinas, já apertei um botão o dia inteiro, não quero esse treco perto de mim!

- Ah, mas ele é pequeninho… você não quer que eu te foda?

- Tira esse caralho de perto de mim porra.

- Vamos lá, deixa só um pouquinho, eu faço direitinho.

- Nem fodendo!

Existe uma pergunta dessas que faz você pensar no sentido da vida sabe? Eu ouvi por aí “qual o preço do cu?”, muita gente disse “milhões de reais”, ou até aqueles mais otários “a paz no mundo”, mas a mais verdadeira foi “o preço do meu cu é a minha vida!”.

Saio da casa da gostosa ruiva com minhas pregas intactas, pelo menos isso. Pego o primeiro táxi e dou o fora dali, ainda olho pelo vidro traseiro para verificar se ela não está correndo pela rua com aquele caralho de aço na mão, isso realmente seria engraçado.

O taxista finalmente para, vejo então uma cena muito esquisita: Joana com um topzinho minúsculo parada na porta da minha casa.

- Joana…?

- Jones…

Ela me beija ardentemente. Sua língua, é tão… tão… molhada. Um pouco áspera. Mas molhada. Muito. Quente.

…então pisco, e acordo. Estava dormindo na frente do bar, e um cachorro estava lambendo a minha boca. Foi tudo um sonho, puta que pariu…

A Dobra Temporal

maio 22, 2009 por Alabama Jones

Manhã de sábado. Saio pela Norton West caminhando. O sol está fraco, e tem uma certa brisa, o dia tem cara que será uma merda, perto do meio-dia com certeza teremos um calor do caralho. Hoje é dia de compras, coisa normal para um homem solteiro. Sempre falta bebida e cigarros no fim de semana.

Não perco tempo e vou logo onde interessa, e para minha surpresa uma pusta gata gostosa também está no corredor da degeneração.

- Oi. – tento puxar assunto, sou uma merda para isso.

- E ai. – responde a gostosa, com um sorriso no canto do lábio. Era tudo o que eu precisava.

Tento falar amenidades, ou qualquer outra porcaria sem sentido pra poder ter assunto. Ela corresponde, o que é impressionante.

- Gosta de vinhos? -ela me pergunta. É um ponto ganho, afinal, quando o ponto de interrogação passa de boca é sinal que ela está demonstrando algum interesse. Aproveito para prestar atenção nos sinais, tipo, empinar a bundinha, mexer o cabelo, etc. Mas ela não aparenta nenhum. Mantenho a esperança.

- Sou o cara da Vodka. Vodka com gelo, Vodka com coca, Vodka sem coca, Vodka com limão, Vodka com meia, Vodka com bucet… – É claro, falei merda.

Ela solta um sorrisinho. Mais uma vez, impressionante.

- Desculpe… – tento me corrigir – eu sou um velho fodido que não tem jeito para conversar com mulheres.

- Uau, que revelação, nem percebi que você não tem o menor papo! hahaha qual é o seu nome mesmo?

- Jones, Alabama Jones.

- Oi Jones, sou claro, a Nancy.

Sem sobrenome, você sabe o que isso significa não? Ela não quer ser rastreada. É casada, tem namorado, ou outra coisa. Pode até mesmo ser uma agente da CIA, ou uma alienígena fazendo uma pesquisa, vá saber.

- Então Nancy, onde vai beber esse vinho todo?

- Achei que só bebesse Vodka!

- Eu bebo até água de bateria se for com uma gata como você. – A cartada final, dependendo da reação a coisa pode rolar mesmo! Será que vou comer a primeira mulher de graça em… em… três anos? Na minha casa tem uma placa escrita “Estou há 926 dias sem comer uma mulher de graça”. É agora garoto!

Mas o destino é cruel, e ouço um berro demoníaco atrás de mim.

- JONES VIADÃO!

Sim, era Mick, o gordo de merda.

- Fala Mick, que tu quer?

- Eu passei na tua casa e… NOSSAAAAAAAAAAAAAA MANO!

Sinto que a coisa vai desandar, Nancy dá uma escapadinha de lado e joga o cabelo no rosto. Fudeu.

- Mick, me espera lá fora?

- Quê? Vá se foder! NANCY! Sua safadinha! hahahahaha

Sim, algo desanda MESMO, o gordo conhece a gata.

- Vocês se conhecem?

- Ah vá se foder Jones, ela tava ontem lá na Sexy Night lembra?? Vá se foder, tu pegou essa mina Jones, tu comeu ela no palco de stripe!

Nesse momento, minha memória dá um belo tranco, e tudo vem à mente. Acabo de me lembrar que não estive em casa ainda, e assim como a Nancy, acabei de sair da putaria. Puta que o pariu! Acendo um cigarro, e uma mina lá no fundo, vestida com um uniforme nada sexy me diz que é proibido, mais uma broxada. Então, prefiro disfarçar.

- Affe gordo, claro que me lembro, tava aqui tirando onda com a minha garota, não é Nancy?

- Ô… hehehehe

Mick não acredita muito, mas me ajuda a encher o resto do carrinho, Nancy sai de fininho é claro, as putas não gostam de relacionamentos à luz do dia, e nem eu. Percebo que o Vagareza Smith está lá fora dentro do carro, obviamente dormindo. Mick me explica que eu saí sem mais nem menos quando nos expulsaram da putaria, o que pra mim tem certa lógica, e que eles vieram ver se eu cheguei em casa.

- Affe caralho…

- Que foi gordo viado?

- Lembrei agora que tá rolando uma festa na casa da Joana, ela ligou pra gente ontem, mas só vi a mensagem agora. Bora lá?

- Mas é já!

Botamos as coisas no carro do gordo, aproveito para tomar uma metade de LSD que estava por lá, Mick me explica que o Vagareza tomou a outra metade, então seja lá onde ele estiver, eu irei. Mick começa a dirigir, e rapidamente eu saio dos trilhos. Olho pelo vidro traseiro e Nancy está de costas, indo embora.

- Tu ainda é encarnado na Joana né irmão? Eu entendo cara! -tenta manter-se acordado Mick.

- Que porra é essa? Sexy and the City? Dirige e respira chupador de bolas!

Relaxo a cabeça e ouço um zumbido terrível, olho pela janela e alguns morcegos nos acompanham. O que é estranho, principalmente por que um deles é a cara do Vagareza Smith! Pisco umas duzentas vezes rezando para aquilo ser um sonho, mas a porra do morcego continuam voando do lado do carro, me olhando. E dizendo alguma coisa que não consigo entender.

Ao mesmo tempo, o mundo parece mais… colorido. Os raios do sol ficam verdes, e as pessoas na rua estão todas nuas, apesar do friozinho.

- MICK! MICCCKKK!!!

- QUIÉ PORRA, QUE SUTO!!

- PARA O CARRO! PARA O CARRO!!

Mick encosta, e rapidamente fico nu, rasgo minha roupa e saio correndo atrás dos raios solares verdes, as pessoas da rua também correm, e os morcegos voam para o céu, eles foram libertados! Agora entendo… as roupas, elas prendiam os morcegos na terra! A vida é boa. Amém.

Paixão na Rua 53

abril 16, 2009 por Alabama Jones

Fim de noite. Mais uma vez não sei onde estou. Isso está se tornando normal, e de qualquer forma não estou reclamando. Dessa vez tenho conhecidos na minha volta, porém estão piores do que eu. São os de sempre: Vagareza Smith e Mick o Gordo. Tenho medo desses caras quando bebem acima do normal, eu normalmente mantenho uma certa aparência de sóbrio, mas eles… saem totalmente da órbita. Mick dessa vez veio desacompanhado, e pra variar está embaçando para pagar a conta. E Vagareza já está puto, sei do lance novo dele com a Sheila, mina bacana, torço por eles.

- Gordo, tu vai pagar logo essa merda ou não?

- Eu não vou pagar tudo sozinho…

- Eu quis dizer a tua parte, seu estrume! – grita Vagareza.

Mick cede e pagamos nossa sagrada conta. Dessa vez apenas um pouco de bebida e cigarro, nada de mulheres. Infelizmente. Pegamos o carro e descemos a Rua 53, é um trajeto tenebroso até a casa de Mick, pois sempre temos que passar na frente de uma funerária. Eu não ligo, mas o Vagareza sempre se caga todo.

Ao chegarmos à alguns metros da funerária já vejo Vagareza virar a cara, e o Gordo começa a rir.

- Hahahaha olha o viadinho se cagando…

- Vai à merda bolo fofo!

- Hahahahah cuidado hein? Um defunto daqueles pode pular em ti…

- Deixa o cara em paz Gordo, vai se fuder!

Quando estávamos passando bem em frente uma coisa muito esquisita aconteceu, um presunto rolou pela escada da funerária e parou na nossa frente, enrolado em um lençol ou sei lá o que, não consegui desviar e atropelei a porra do defunto!

- Para Jones! Atropelamos alguém! – grita desesperado Mick.

- Não para! Toca! Toca!!! – contraria rapidamente Vagareza.

Resolvo parar, e sinto que não deveria fazer isso.

- Não vou sair do carro. – já avisa Vagareza.

Saio cambaleando do carro, sinto o álcool no meu sangue graças à Deus. Mick me acompanha, ele está mais preocupado em dar um cagaço no Vagareza do que com o que quer que atropelamos. A visão é estranha, é realmente um presunto. E pior, é uma mulher. E pior ainda, uma mulher muito gostosa. Ninguém da funerária aparece para reclamar o corpo.

O Gordo está me olhando com aquela cara de sacana.

- Nem pensar. – me adianto.

- Vai cara, vamos levar, não tem ninguém, olha em volta!

- Vai se fuder Gordo, definitivamente não!

- Quando na tua vida vais ter outra oportunidade dessas? Vamos botar no porta-malas, levar pra tua casa e dar uma olhada antes de devolver, até amanhecer já estaremos livre do presunto… vamo lá cara.

- Affe… vai, pega nos braços que eu pego nas pernas…

- Porque fico com o braços?

- Anda logo porra!

Aceno para o Vagareza, grito para ele abrir o porta-malas, mas ele está estático no banco da frente. Nem se quer se atreve à olha para trás. Cinco minutos de muito trabalho e conseguimos colocar nosso defunto no carro.

- E se um carro nos parar Gordo?

- Dizemos que é a prima do Vagareza que passou mau… ou que ele é um psicopata perigoso, sei lá!

- Pra mim ta bom! Haahahah

Dirijo devagar pelo que falta da Rua 53, tento puxar assunto com o Vagareza, mas o cara está muito puto.

- Vira ali e me deixa na esquina.

- Nada disso Vagareza, tu faz parte dessa merda, vai ter que ir com a gente até a minha casa!

- Vai se foder Jones, eu não vou porra nenhuma, vou pular desse carro!

- Para porra! Tu já viu a gata que catamos na estrada? Tu sabe qual é o lema?

- “Atropelou tem que comer.”

- Sim, esse mesmo, e ela ainda está quente pelo que me consta.

- Eu não senti isso. – desmente o Gordo.

- Tudo bem, tenho um microondas grande, qual problema? As partes que me interessam dela cabem lá! Ahahahahaha

- Vocês estão loucos… bêbados nojentos.

Chegando na frente da minha casa, Mick fica de guarda para que eu possa entrar de ré na garagem, ainda tenho que arrastar a pobre moça pela escada, pois Vagareza não quer encostar nela. Eu e Mick jogamos ela na minha cama, e aproveitamos para tirar o que restou do lençol.

Com a penumbra do abajur podemos ver do que se trata.

- Cara… ela é muito bonita. – começa Mick.

- E muito nova, dou uns 22 anos.

- Tem no máximo 16 caras.

– se mete Vagareza, agora mais relaxado.

- É cara… 16 anos, do que será que morreu?

- Nada aparente. Uma doença talvez?

- Olha que seios cara… pele branquinha… parece morta. –divaga Mick.

- No caso, ela está morta retardado.

- Jones, ninguém vai saber disso né? Quero dizer, nenhum de nós três pode contar isso pra ninguém.

- Claro idiota, ou vamos ser presos. – emenda Vagareza.

- Ok então… – nesse momento Mick abaixa as calças.

- Não sei quanto à vocês cara, mas eu nunca comi uma mulher tão bonita na minha vida, mesmo morta, preciso aproveitar né?

- Que coisa bizarra, Jesus… Jones, tem cerveja nessa casa?

- Tem, pega lá.

Estou impressionado, em um segundo Mick baixou as calças e montou nela, ele estava realmente afim daquilo, pois nem se preocupou com a minha presença. E o mais estranho é que ele trepou com a defunta como se ela estivesse viva, ficou dizendo coisas obscenas, bateu de leve, e prometeu ligar no dia seguinte. Incrível!

- Quer um cigarro comedor?

- Eu vou dar outra Jones… vou dar mais uma nessa gata!

- Eu não quero mais assistir isso, quando acabar me chama.

Saio do quarto e Mick está mandando ver de novo, muito bizarro. Encontro Vagareza sentado na sala, bebendo uma cerveja e fumando um dos meus cigarros, quando ele fuma é porque a coisa fudeu de vez.

- O que ta pegando mano?

- Ah Jones… vão se foder vocês!

- Sério cara, qual teu galho com a presunta-tesuda ali?

- Meu… tenho que dizer…

- Pois fala.

- Eu estou fodido de tesão por ela, quero trepar com a morta! Já pensou? Sou uma porra de um necrófilo!

- Ei Vagareza…

- Não sacou né? Eu to namorando com a Sheila e tal, e ta um lance muito bacana cara, acho que estou gostando dela…

- Ok, ok, não vamos ficar melodramáticos, nem amolecer agora né?

- Ta, mas o lance… é que eu gostaria de botar a Sheila numa mesa do IML, pregar uma etiqueta no dedão dela e cobrir com um lençol daqueles!

- Jesus Cristo, e por que ainda não fez isso?

- Tu é doido? Como vou dizer pra minha mina que quero que ela finja de morta?

- Acho que muita mina faz isso direto! Hahahaha

- Hahahahah é verdade…

- Então seu bosta, vai pro fim da fila, quem vai meter na defunda agora sou eu!

- Ah vá à merda, deixa eu passar na tua frente ou vou ligar pra Joana!

- Que filho da puta, ta vai lá, só porque tu é meu amigo… aproveita e tira aquele gordo de lá, ou ele vai estragar o material!

Sento no meu sofá e penso na merda que está acontecendo, e pior, gosto disso. Mick aparece pelado e com uma camisinha usada na mão.

- Jones, acho que esfolei aquela vadia toda. Ela ta muito seca cara!

- Hahahaha claro porra, ela ta morta né? O Vagareza foi encarar?

- Meu Deus, vi sangue nos olhos dele, acho que não vai sobrar muita coisa pra ti cara…

Passam então quase uma hora. Decido ver se o Vagareza não cometeu suicídio. Encontro o cara na porta, pelado, e a defunta de perna arreganhada. Ele está com uma cara de satisfação terrível. Parace hipnotizado.

- Vagareza…? ta tudo bem cara?

- …não podemos ficar com ela Jones?

- Ta doido cara? Daqui a pouco ela vai feder, sei lá…

- Guardamos ela no teu freezer, sei lá…

- Não pira cara, ta quase amanhecendo, precisamos nos livrar dela.

- Acho que quero casar com a defunta cara.

- Te liga, depois arrumamos outra dessa…

- Ela é tão bonita Jones, tão macia, tão branquinha.

- O Mick! Chega aí! Vamos botar ela no meu carro…Agora Vagareza, ou vamos ser presos ainda!

Embarcamos no meu carro com defunta no porta malas, não sei porque Vagareza fez questão de botar um travesseiro pra morta.

- Certo Mick, conhece o córrego Hudson não?

- Claro, fumei muita maconha na beira daquele riacho.

- Vamos desovar ela lá.

Ninguém responde nada. A verdade é que nas ultimas duas horas nos apegamos a defunta-tesuda, e não queríamos nos livrar dela. Paro o carro na beira do rio, bem na parte mais funda, com sorte ela vai afundar e aparecer somente no lago Kenne.

Eu e Mick descemos ela até a beira, e Vagareza fica apenas olhando pela janela, parece aquelas histórias de amor que acabam subitamente, então começo a agradecer à Deus por não ter colocado meu pau ali também, pois Mick começa a chorar. Empurramos ela um pouco para dentro mas seu corpo não afundou, ficou ali boiando, e vagarosamente descendo o rio, seus cabelos claros começam a brilhar com os primeiros raios de sol.

Acendo um cigarro.

Vai nessa querida, e obrigado por emprestar sua vagina para esses pobres degenerados.

A Máquina de Esmagar Bagos

março 30, 2009 por Alabama Jones

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Fazia pelo menos cinco anos que não pisava nessa cidade, é quente, úmida, suja, doente. Mas gosto daqui. Se alguém espirrar do seu lado cuidado, alguma DST vai voar pelo ar… realmente aqui é a terra da putaria descarada. Afastei-me por causa de uma mulher, a linda e sisuda Lady Dianne. Ela não é uma Joana da vida, não mesmo. Mas tem um charme próprio, uma coisa envolvente. É daquele tipo de mulher que você não quer apenas foder, mas quer foder várias vezes em diversos cômodos da casa (se é que isso ainda é possível na nossa idade).

Enfim, Lady Dianne, como não poderia deixar de ser, trabalhava em um bordel local, coisa simples, mas de bom gosto. Era administrado por um casal, acredito que o cara casou com a puta e ela queria continuar no ramo, coisa normal. Eu de passagem pelo local me envolvi com a dita moça, fiquei realmente engatado nela, literalmente. Mas nossas cabeças eram muito diferentes, e acabamos nos afastando. Na verdade acho que sempre me senti pressionado por meus amigos. A coisa entre nós estava ficando séria, e não faltava nego pra meter o bedelho.

Eu trabalhava em jornal local, publicando algumas colunas sobre a noite da cidade, acontecimentos da prefeitura, festinhas de quinze anos, etc. Pedi demissão e vazei fora.

O caso é que tenho alguns materiais que precisava vender, coisa pouca. Contos idiotas, críticas de filmes, esse tipo de besteira. E o editor do jornalzinho era meu chapa de bebedeira, então pensei em vir até aqui tentar a sorte.

Chego no jornal por volta das 11 horas da manhã, tive que passar no botequinho da frente e tomar um fogo para criar coragem, eu não sou bom em pedir coisas.

Subo a escada e percebo que já não estou tão bem das pernas… doze doses de vodka realmente derrubam qualquer um. Então entro.

Para meu azar, a nova secretária do editor é Lady Dianne, sinto uma contração no meu cu como se ele fosse virar do aveso. Sabe, eu não me despedi quando fui embora.

Ela me olha meio indiferente, parece não me reconhecer.

- Filho da puta.

- Ops! Lady Dianne é você né?!

- Que cara de pau chupador de pica filho de uma égua fedorenta…

- Uau querida, calma lá…

- Depois de cinco anos chorando, me descabelando… quando finalmente arrumo uma vida você me aparece. Saía já daqui!

- Epa, espera aí, meu papo não é com você.

- Ah não??

- Não, é com o Sebastian, ele ta me esperando, liguei na sexta. Acho que você atendeu.

- Não, provavelmente foi a outra secretária.

- Pois bem, pode ver aí, no seu caderno dona, meu nome deve estar marcado para às 11:30 h.

- Realmente Jones… mas… que bafo hein? Tá de porre?

- Você me conhece Dianne, eu não encaro pedir um favor sem estar de fogo não?

- Você não mudou um peido se quer Jones.

- E você continua gostosa.

- Vá à merda.

Senti que aquilo não ia adiantar nada, ela não ia ceder as minhas cantadas maravilhosas, nem se sentir melhor ao ser elogiada. Afinal, ela teve anos de puteiro para aprender a domar um cara, e se esquivar de cantadas baratas.

- Jones, entra lá.

Levanto-me e sinto como se uma espada fosse sair debaixo da mesa dela e me cortar as bolas. Seu olhar é terrivelmente frio. Entro no escritório e Sebastian está com outro cara, parecem estar acabando qualquer papo.

- Jones!

- Sebastian!

- Que bom te ver putão!

- Igualmente bicha velha!

- Esse aqui é Rick Swhayze, nosso aspirante a escritor.

- Prazer senhor.

- E aí moleque?

- Alguma palavra para ele Jones?

- Filho, arrume um emprego, escrever, beber, fumar, e ir aos puteiros… já tem muita gente no ramo, vai por mim.

- Hahahahaha esse é o Jones que conheço.

O guri me olha como seu eu fosse uma bosta velha, daquelas que você sabe que não fede, que não suja mais nada, mas que ainda está ali, e que ainda vai incomodar. Sebastian me mostra alguns manuscritos do rapaz, coisa de universitário punheteiro. Amor, mulher amada, amores impossíveis, a menina do 312 que anda de calcinha… qualé? É nisso que a nova geração anda pensando? Deve ser por isso que eu não consiga vender mais nada.

- Jones ele tem um bom material aí não?

- Cara, vou ser sincero, eu achei uma merda total.

Nesse instante o mancebo dá um pulo da cadeira, serra os punhos e começa a gritar como uma bicha louca.

- Seu velho bastardo! Vá à merda! Não sabe o que é literatura!! Não sabe nada de escrever, não escreve porra nenhuma e vem pra cá criticar os outros! Viado!!

Sebastian me olha desconfiado, com certeza esperando uma reação digna. Então providencio uma. Levanto-me e dou um murro no moleque, ele cai no chão.

- Escuta aqui viadinho, não levanta a porra da voz pra mim ok? Quer entrar nesse mundo? Quer ser fodão? Quer escrever sobre as merdas do submundo? Então comece andando na lama!!

Ele me olha com cara de choro, quase tenho pena do pequeno punheteiro.

- Calma Jones… Rick, levanta, pega isso e vai embora. Escreva algo que preste antes de voltar aqui ok? Não compro qualquer merda.

É como ter os bagos esmagados por uma marreta. Ver o seu trabalho jogando na merda, saber que quem fez isso foi um velho de merda que não escreveu uma porra de livro qualquer, que não tem dinheiro, fama ou sucesso. Que veio até aqui pedir um favor. Um merda sem eira nem beira. É humilhante. Rick dá uma de franguinho e se manda.

- Bem na hora Jones… eu ando muito puto com esses universitários.

- Também pudera, você lê mesmo essas merdas?

- E o que mais tem hoje em dia? Vamos, me mostre o que você trouxe.

- Espera quero saber uma coisa…

- O que?

- Você casou com a Lady Dianne?

Percebi na hora que não devia ter falado aquilo. Sabe como as coisas funcionam? Você vai na putaria com seus amigos, festeja, paga umas doses, aperta uns peitinhos, enraba umas putas. Tudo aquilo fica lá. Mas se você trás alguma delas pra criar dentro de casa, ninguém mais fala no assunto, pois um dia, um dia desses qualquer… você vai fazer o mesmo!

- É.

- Depois de todas as merdas que você me falou há cinco anos?

- Aquilo foi há cinco anos cara.

- É, foi. Mas você me criticou pra caralho, só faltou apelar pra minha mãe, ou sei lá mais quem, e aí foi lá e pegou a minha puta quando eu fui embora? Sente a merda?!

- Oh Jesus… senta aí caralho…

- Não me venha com essa Sebastian, agora eu to sacando. Todo aquele teatro da porra foi para ficar com ela no fim não? Podia ter me falado cara, bastava dizer “Jones, quero ficar com a sua puta, me empresta ela?”, mas não. Tinha que foder tudo, fazer eu sair daqui, parar de trabalhar pra você, deixar os bares que eu gostava só pra você poder fuder a minha puta.

- Jones, sinto muito.

- É? Pois estou esperando outra reação. Grita, te defende, fala alguma merda!

- Não tenho nada pra falar, você resumiu a história toda, foi tudo isso aí… fui escroto pra caralho com você.

- É.

Um silêncio toma conta dos próximos minutos, parece que botei coisa demais para fora, Sebastian está com uma puta cara de cachorro sem dono. Dou uma olhada na porta entre aberta e Dianne está lá ouvindo tudo. Ela é puta, sabe das coisas que os homens fazem, mas sabe também que nenhum amigo esfaqueia o outro assim.

Bato a porta e me mando. Sinto como tivesse passado por uma máquina de esmagar bagos, até minhas entranhas doem.

Paro no boteco da vodka e peço uma dose dupla, ta um puta calor nessa cidade de merda. Novamente a umidade está alta, o que aumenta a sensação de “panela de pressão” desse lugar. Aproveito o tempo livre para visitar meu velho puteiro de guerra, e ainda está lá, graças à Deus.

Uma mina meio jeitosa me recepciona.

- Sabe que horas são parceiro?

- Hora de fuder?

Ela me dá um sorrisinho maroto e vamos direto para o quarto, lá eu vejo um mosquiteiro sobre a cama, um frigobar detonado, e um monte de camisinha usada pelos cantos. Lar doce lar.

- Qual teu nome velhão?

- Alabama.

- Jesus que nome… o meu é…

- Teu nome é Dianne… Dianne ok?

Uma doze na fuça e uma amante em desespero (Conto de Vagareza Smith)

março 27, 2009 por Alabama Jones

Ouço um tambor batendo incessantemente. Uns berros, acho que estou em alguma tribo, alguém deve estar pra ser sacrificado…
- Smith! Acorda, Smith, tem alguém querendo derrubar a porta!
- Hã? Quê? Tambor?
- Que tambor, seu bebum, tem uma mulher na porta chamando o Jones!
Eu esfrego os olhos e os raios de sol que vem da cozinha iluminam o corpo perfeito de Joana. Ela tá só de calcinha e uma camiseta cortada na altura dos peitos. Droga, a minha camiseta do Motörhead? Tudo bem, eu deixo. Mas não boto a mão nela: essa mina é do Alabama Jones, meu chapa de outra era geológica. O bicho tá parado na mina e ela não dá muita bola. A maluca ainda tá surrando a porta.
- CALMA, DEMÔNIO, TÔ INDO!
Minha gata, a Sheila, tá capotada no sofá. Por que ela não dormiu comigo? Vai ver, eu tava roncando demais. Ela acorda com aquela cara de quem dormiu com o capeta e diz:
- Se for uma daquelas putas que diz que é sua ex, eu corto as tuas bolas e faço ela comer.
Eu respondo, abrindo a porta:
- Que ex, amor, vc sabe que eu sou só…
Sinto o pé da mina enfiado na porta, me empurrando pro chão. Caio de bunda. Dói paca, mas é melhor que cair de cara. Tô olhando pra Sheila, que cobre os peitos com a mão e a maior cara de desespero. Quando olho pra mina que arrombou a porta do meu apê, eu entendo.
- CADÊ… O… FILHODAPUTADOJONES?
- Não sei, sua maluca… vem cá, como é que tu achou…
Não dá tempo de terminar, tomo uma coronhada de espingarda na cara. Meu supercílio abriu, de novo.
- CALABOCA! DIZ PRO JONES QUE EU TÔ NA CIDADE E QUERO O RABO DELE COMIGO ATÉ AMANHÃ! De repente, ela vira e sai.
Que caos. 11 horas da madrugada, uma louca berrando comigo com uma espingarda na minha cara, a Sheila e a Joana abraçadas chorando… que bosta. Sheila pega uma compressa com gelo e o kit de sutura. Ela aprendeu a me costurar na marra.
- Quem era essa maluca, Smith? Ela falava como se fosse a dona do Jones…
- Isso porque ela É a dona do Jones, Jô. Mal aí te falar assim.
- Como é o nome dela?
- Prudence Jones. Eu chamo ela de Pestilence Jones.
Joana arregala os olhos marejados, levando as mãos à boca.
- Isso quer dizer que… Jones não é o nome dele?

Por 3 segundos eu fico processando aquela cena. Sheila dá uma gargalhada, só que ela tá com a linha no meu supercílio e puxa, rasgando tudo de novo. Eu chamo ela de vaca, ela pede desculpas e me passa o uisque.
- Não, Jô, Jones é o sobrenome dele. E Smith também não é o nome do Vagareza. Fecha um aí, ele tá com dor.
- Encurtando a história, faz uns 5 anos que eu, a Sheila e o Jones não vimos essa louca, desde que ela foi presa.
- É, e eu acho que ela sabe que foi você que armou pra ela, amor.
- Sabe nada, senão tu tava catando chumbo da minha cara, não me costurando.
Sheila termina, me dá um beijo, e me passa o baseado. Essa seria uma cena que eu gostaria de curtir, mas não é.

Joana senta do meu lado.
- Você sabe o primeiro nome do Jones.
- Sei.
- Qual é?
- Não é Alabama.
- Sheila?
- Não olha pra mim.
- Jô querida, o que menos importa agora são os nossos nomes. Eu preciso dum telefone, e vocês precisam torcer pra eu achar o Alabama Jones antes da Pestilence. Senão você vai ficar solteira, gatona.
Jô seca as lágrimas do rosto, pega o baseado da minha mão, e diz:

- Solteira? É, também não é assim, né…

* * *

Viva la Anarquia!

março 27, 2009 por Alabama Jones

Terça-Feira [13:45]

Por volta das duas da tarde já estávamos bêbados. A velha guarda da derrota e vagabundice estava reunida. Era plena terça-feira e nenhum dos três tinha emprego, apenas alguns trocados para a cerveja.

Eu por exemplo estou sem emprego há uns seis meses, faço um bico aqui e outro ali, pinto casa, corto grama, carrego entulho, enfim, qualquer coisa que dê alguns trocados para esses momentos de plenitude espiritual. Vagareza Smith está sempre na merda. Pula de emprego em emprego como uma vadia pula de boate em boate.  Mick-gordo é um parasita. Ele encosta em você, tem um jeito carismático que te prende e tudo mais. Mas não caia de bunda pra cima perto dele, respeito isso, mas sempre uso cueca de ferro quando bebemos juntos.

- Vagareza, tem cerveja na sua casa? -pergunta Mick.

- Tem um trabuco pra enfiar na tua fuça se aparecer lá.

- O dinheiro está acabando e a tarde nem começou caras, o que vamos fazer? -perguntei.

- Podíamos botar o Mick de michê e ganhar uns trocos! hahahahaha

- E quem ia pagar por esse gordo de merda?

- Vão se foder vocês!

A situação realmente estava preta, a grana acabando, o sol cada vez mais quente, e a sede cada vez maior. Eu não podia mais sacar nada da minha poupança porque ela secou faz pelo menos 15 anos. Mick não pode mais pedir dinheiro pra mãe pois ela morreu faz uns dois séculos. E Vagareza acabara de ir pra rua e não tinha recebido nada ainda.

- Viados, acho que tive uma ideia…

Obviamente todos me olharam com desconfiança.

- Seguinte, tem um caminhão de peixe sendo descarregado todos os dias no porto, acho que dá para ganhar uns 30 dólares por cabeça.

- Uh-uh, vou ficar rico! -resmunga o gordo.

- Se vocês dois me emprestarem suas partes pra eu pegar uma puta, beleza? hahahha -tenta tirar vantagem Vagareza.

- Pensem bem, uma tarde carregando peixe por 30 mangos não é tão ruim hein? Saímos de lá e voltamos direto pra cá!

- Tenho uma sugestão… -começa Smith com um tom espirituoso. Se cada um vai ganhar trinta, isso são noventa certo? Vamos falar com o Zé para pendurar 90 mangos de cerveja, depois de devidamente calibrados vamos até lá e carregamos até uma baleia se for preciso. O que acham? Jones Putão? Mick Viadão?

Nesse instante pude ver os olhos de Mick brilharem, e ao mesmo tempo concordamos com a cabeça.

- Pois bem -diz Smith, que desça a primeira!

Desconfiado da história, Zé nos permite apenas beber 50 mangos, e da cerveja mais barata, porém proporcionalmente ao preço da que bebemos normalmente vai dar a mesma coisa em quantidade. Saúde.

Terça-Feira [19:30]

- Amigos… -começa Mick, posso dizer que o Vagareza teve a melhor idea da vida dele! Beber, ficar legalzão, e depois ir trabalhar pra pagar o porre… e melhor! Presta atenção Jones, olha aqui… o melhor disso, com certeza, o melhor… é ir pro trampo bêbado! hahahaha tu é um gênio Vagareza, um gênio! Tua mãe devia ter te mandado pra Nasa ou algo assim… tem amo cara…

- Caras, não sei quanto a vocês, mas algo me diz que se eu me levantar daqui, caio no chão direto.

- Tô nessa também Jones, acho que na próxima vou mijar nas calças direto.

- Que se foda então, vamos todos mijar nas calças! Viva a anarquia! Vamos virar punks!!

- Issssooooooooo vamosssss virraarrrr punkssss!! o que é um punk mesmo? aqueles caras que não limpam o cu depois de cag… cagar não, cagar é feio falar… depois de DEFECAR!

Em um lapso de consciência Smith começa a divagar sobre nossa futura jornada de trabalho.

- Galera, não sei… não sei quanto à vocês… bruplh! Desculpem. Mas acho que vai ser difícil pra caralho sair daqui e ir pro porto. Corrigindo, vai ser difícil sair daqui e ir PRA QUALQUER LUGAR.

- Cara, tem razão, eu moro lá no começo da rua, tenho que subir essa ladeira da porra, tu já viu que ladeira íngreme é essa merda? Uma puta ladeira cara. Como vou subir isso, de quatro? -reclamei também.

- Vocêsssss… os dois putos… são fracoooooooosssssss!!!! Eu vou ficar aqui até os 50 mangos acabarem.

- Faz duas horas que acabaram cara. -diz Smith, já estamos pendurando no dinheiro que deveríamos ganhar depois de amanhã!

- Fudeu.

- Eu… tenho uma ideia.

- Lá vem.

- Sério… mas é minha ideia…

- Affe…

- Assim… vocês tem algo contra… a gente mudar de bar?

- Como assim?

- Mudar! Mudar pra seeemmmpprreeee… nunca mais vir aqui, etc, etc, etc…

- Algo contra, acho que não, você tem Smith?

- Eu não. Foda-se o Zé.

- Ok, então quando eu terminar de contar até três… a gente sai correndo!! E nunca mais voltamos aqui!

- Mick, acho que tu sabe que eu moro ali no começo da rua né?

- Que que tem? Foda-se o Zé tu disse!!

- Eu não, foi o Smith!

- Ok, ok… então 1… 2… TRÊS!!!!

Mick se levanta num pulo, dá três passos, roda feito uma galinha tonta, e caí de boca no meio fio. Ali fica, desmaiado, de cu pra cima feito uma bicha.

- Puta merda!! HAHAHAHA

- Véio que merda! HAHAHA vai lá ajudar ele Jones?

- Eu não, tomara que venha um cachorro e ainda coma o cu dele!

- Tá mas… e a conta aqui?

- Tá pendurado mesmo, foda-se!